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Disfunções sexuais femininas

Antes de iniciar qualquer tratamento, é essencial identificar a causa e tentar perceber de que forma as interações entre a parceria estão contribuindo para a disfunção


Por Ana Maria Ramos Seixas

A insatisfação pessoal com o sexo está presente na vida de muitas pessoas. Até mesmo os adolescentes, que se supunha estarem no auge do apetite sexual e livre de atitudes puritanas em relação ao sexo, muitas vezes têm queixas referentes à sexualidade. Um grande número de adultos solteiros diz não conseguir encontrar os parceiros "certos", e se queixam de que o sexo é feito sob pressão e não como meio de relaxamento ou prazer, o que acaba inibindo ou frustrando sua sensibilidade erótica. Metade dos adultos casados também revela algum problema sexual, desde desinteresse até disfunções sexuais crônicas.


Em se tratando de disfunções sexuais femininas, elas se definem como desordens psicossomáticas que impedem que a mulher cumpra o Ciclo de Resposta Sexual Feminina (sistematizado por Masters e Johnson e modificado pela Associação Psiquiátrica Americana): desejo, excitação, orgasmo, e resolução. O ciclo se altera em uma ou mais das fases, impossibilitando a mulher de obter prazer sexual ou mesmo de ter atividade sexual. Só se considera a existência de disfunção sexual se essas características forem persistentes ou recorrentes e trouxerem insatisfação, mal-estar, aborrecimento pessoal ou interpessoal.


Qualquer disfunção sexual feminina pode ser:

Primária ou Absoluta: Quando a mulher sempre vivenciou a sexualidade com os limites das disfunções sexuais femininas.

Secundária: Quando a mulher já usufruiu de uma sexualidade completa (nem que tenha sido uma única vez) e, posteriormente, desenvolveu algum tipo de disfunção.

Geral: Quando a mulher apresenta disfunção sexual feminina em todas as ocasiões, com qualquer parceiro, em qualquer circunstância.

Situacional ou Ocasional: Quando a mulher apresenta disfunção sexual somente em determinadas situações.



As disfunções sexuais constituem a grande maioria dos problemas de sexualidade. O "Estudo da Vida Sexual do Brasileiro", coordenado pela psiquiatra Carmita Abdo, do Projeto Sexualidade (com 7103 participantes), revela que cerca de 50% das mulheres brasileiras sofrem de algum tipo de disfunção sexual.


O parceiro sexual da mulher com vaginismo pode ficar muito frustrado por não ser possível ter relações sexuais com penetração. Quando não sabe que os espasmos musculares da mulher são involuntários, pode imaginar que está fazendo algo que machuca a parceira e torna-se cada vez mais passivo nas situações sexuais, chegando até a apresentar disfunção erétil. Ou pode concluir que a mulher está evitando as relações sexuais propositalmente e rejeitando-o. Depois de algum tempo, pode perder a paciência ou se tornar ressentido, hostil, ou simplesmente procurar outras parceiras sexuais.


O vaginismo pode constituir-se em causa de casamentos não consumados, mesmo que tenham muitos anos de duração, ou em motivo para anulação do matrimônio, ou ainda uma causa de infertilidade do casal, uma vez que não ocorre o depósito do sêmen no interior da vagina e que a possibilidade de inseminação com ejaculação nas proximidades da vagina é muito pequena.

Dependendo do grau do vaginismo, alguns exames ginecológicos só podem ser realizados sob anestesia.



Causas das disfunções


Há uma multiplicidade de fatores causais que podem atuar isoladamente ou de modo associado.

Para Odette Fiorda (psicóloga da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana), as causas orgânicas são responsáveis por cerca de 20% a 40% das disfunções sexuais femininas; entre elas, 10% da falta de desejo sexual, 60% da falta de excitação, e 10% da anorgasmia.

Entre as principais estão: menstruação (a inibição do desejo sexual pode acontecer, antes, durante ou depois deste período; climatério (devido à diminuição na produção de estrógeno e outras alterações, como ressecamento vaginal); doenças orgânicas (pela interferência direta ou indireta na sexualidade); distúrbios afetivos provocados por componentes físicos (mudanças de humor bruscas que interferem no equilíbrio psíquico); cirurgias como as realizadas para remoção do útero (histerectomia) e/ou ovários; doenças sexualmente transmissíveis (DSTs); dependência química; uso de medicamentos, contraceptivos, perfumaria (como os desodorantes vaginais, que podem propiciar infecções) e intervenções como a infibulação (costura dos grandes lábios da vulva) e clitoridectomia (extirpação do clitóris), ainda comuns em algumas culturas.



Causas psicológicas


A maioria das disfunções sexuais femininas tem causas psicológicas. 

Entre as mais freqüentes, não conhecer, não gostar, não aceitar o próprio corpo, sentir-se feia, pouco atraente, ter baixa auto-estima, dificuldade em se entregar para o outro e/ou recebê-lo, dificuldade em assumir um "papel erótico", em evidenciar sua sensualidade, temor à perda de controle e satisfação plena; sexo sem envolvimento (por inabilidade de reunir afeto, amor e sexo), mecanismos de defesa como conversão, somatização, racionalização, comorbidades.


Outras causas emocionais são os medos. 

O "Estudo do Comportamento Sexual", pesquisa nacional coordenada por Carmita Abdo (com 2835 participantes), revela que os principais temores da mulher brasileira durante o ato sexual, são: contaminar-se com doenças sexualmente transmissíveis, não satisfazer o parceiro, engravidar sem programação, não ter orgasmo e a ejaculação precoce do parceiro, nesta ordem. A mulher pode ter medo do seu desempenho sexual (não corresponder às expectativas do parceiro, não ser sedutora, não alcançar o orgasmo ou não fazer o parceiro atingir o seu), medo de ser rejeitada pelo parceiro (por ser passiva ou demasiadamente ativa), medo do sucesso sexual e amoroso (após grande esforço para alcançar o objetivo desejado, quando está bem próxima disso, "sabota-se", ficando ansiosa com a idéia de perder o parceiro, descuidando da aparência; ou pode até atingir o alvo, mas desinteressa-se logo em seguida), medo de intimidade (geralmente devido a experiências decepcionantes na infância que fizeram com que a criança não desenvolvesse a confiança básica nos pais). Todos esses medos também impedem a mulher de relaxar e se excitar, pois é acometida de ansiedade coital.

Ainda como causas emocionais das disfunções sexuais femininas encontram-se ansiedade, tensão, nervosismo, raiva, culpa, angústia, depressão; necessidade extrema de se sentir aceita por homens; negação de sentir-se atraída pelo mesmo sexo (homossexualidade); necessidade de provar que não é anorgástica; preocupação com o uso de preservativos; medo de sentir dor com a penetração vaginal; fatos desagradáveis, humilhantes e ameaçadores subseqüentes à atividade sexual; dificuldade de se expressar emocionalmente; inibição de conversar sobre sua sexualidade com o parceiro; excessiva preocupação com a satisfação do parceiro.

A ansiedade presente em tratamentos feitos para engravidar também pode atrapalhar e resultar em disfunção sexual. Em caso de gravidez, o extremo cuidado em causar mal ao bebê ou sentimentos como o de perda e culpa provocados por um aborto induzido, também se refletem negativamente na sexualidade feminina.

No puerpério, conflitos entre a maternidade e a sexualidade, uma eventual depressão pós-parto ou mesmo o receio de voltar a engravidar também podem contribuir para disfunções sexuais na mulher.

Da mesma forma, o surgimento de disfunções pode ser precipitado devido a estados emocionais desfavoráveis provocados pela cirurgia de laqueadura (por exemplo fazendo com que a mulher se sinta em pecado por ter relações sexuais sem a possibilidade de engravidar, ou se sinta mutilada), pelo climatério (em decorrência não apenas de mudanças fisiológicas, mas também de mitos e crenças que envolvem a mulher nesta fase da vida), pela obesidade (sentindo vergonha do próprio corpo, angústia ao se despir), por doenças de maneira geral (a mulher doente pode achar que é "errado" ter desejo sexual, ou que não vai conseguir ter prazer sexual), ou por ter sofrido intervenções cirúrgicas realmente mutilantes, como a mastectomia (que prejudica sua auto-estima).


Causas conjugais


Apesar de a mulher ser a maior responsável pelo seu prazer sexual, o parceiro sexual tem grande importância no desempenho sexual feminino. Aliás, acreditamos que as disfunções sexuais femininas, mais do que conflitos intrapsíquicos, são conseqüências de vicissitudes das relações conjugais.


Nesse âmbito, entre os principais fatores relacionais, podemos citar: 

  • falta de identificação (física, psicológica ou comportamental) com o parceiro sexual; 
  • atitudes do parceiro que provocam a repulsa feminina (aí se inclui desde o descuido com a higiene até o tom de voz áspero ou rispidez com a parceira); 
  • falta de aquecimento ou aquecimento inadequado antes do intercurso sexual; 
  • discrepância entre as necessidades sexuais do casal (traduzida, por exemplo, pelas diferenças de ritmo, ou de preferências de posições sexuais no momento das relações) tensão ou pressão por parte do parceiro antes ou durante a relação sexual (despertadas por assuntos que geram ansiedade ou preocupação, críticas à parceira, ameaça de abandono); 
  • monotonia e falta de criatividade na vida sexual do casal; problemas na comunicação (agravados pela inibição em expor os próprios desejos); 
  • luta pelo poder no relacionamento (como negar sexo ao parceiro com o objetivo de punição ou de controle), outros conflitos conjugais (medos, desconfianças, traições, agressões); 
  • problemas de saúde do parceiro sexual (diabetes, problemas cardíacos, transtornos psicológicos ou psiquiátricos).

Há casos, além disso, em que a disfunção sexual não é da mulher, mas é ela quem assume a "culpa" e se considera inadequada. Como já foi dito, muitas vezes a disfunção sexual não é o problema real e sim reflexo de um relacionamento conjugal insatisfatório.

Causas familiares


É importante acrescentar que dificuldades no relacionamento familiar também prejudicam a vida sexual da mulher. Por exemplo, relacionamentos conflitantes entre pais e filhos (como alcoolismo por parte dos pais, uso de drogas por parte dos filhos, falta de contatos físicos afetivos entre pais e filhos), educação familiar inadequada ou atitudes negativas da família em relação ao sexo (como punição severa frente à masturbação ou perante às brincadeiras inocentes em torno da sexualidade entre as crianças), o predomínio do papel materno em detrimento das atribuições de esposa e amante (como a mulher ficar sempre de "prontidão" e dormir com a porta aberta).

Causas ligadas à sexualidade


Por fim, cabe lembrar que, para a mulher, o fato de ter sofrido algum tipo de trauma sexual, como abusos na infância ou na adolescência, ou ainda o fato de ter tido anteriormente experiências sexuais frustrantes e insatisfatórias também é relevante para o surgimento de disfunções sexuais.

Da mesma maneira, influenciam negativamente a livre expressão da sexualidade feminina, a ausência de fantasias sexuais e até mesmo a falta de experiência (para mulheres que só tiveram um parceiro, ou pela rotina monótona da vida sexual), a prática recorrente do coito interrompido, as disfunções do parceiro, (ejaculação precoce ou disfunção erétil), a tentativa de relações heterossexuais por parte de uma mulher com orientação afetivo-sexual homossexual.



Principais disfunções

Falta de desejo sexual

A falta de desejo sexual (ou anafrodisia) traduz-se pela ausência ou diminuição prolongada do desejo sexual, incluindo ausência de sonhos e fantasias sexuais, de atenção para elementos eróticos, da vontade de praticar o ato sexual ou falta de iniciativa sexual e a existência de sentimentos de angústia e frustração na abstenção do sexo.

Mas é preciso frisar que a resposta sexual varia muito de pessoa para pessoa, o que dificulta a conceituação de "normalidade" em termos de freqüência de desejo. Daí o cuidado em usar essa definição. "Entretanto, pode-se a grosso modo considerar como 'normal' o surgimento de impulsos sexuais desde diários até quinzenais, na dependência da disponibilidade de parceiros interessantes e interessados, tipo de atividade, faixa etária, e outras variáveis", de acordo com Nelson Vitiello, ginecologista e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana.

A falta de desejo sexual pode ser causa de outras disfunções sexuais femininas, mas não necessariamente leva à falta de excitação sexual ou à anorgasmia, e não impede a mulher de participar do contato sexual quando solicitada.

Segundo Carmita Abdo, a falta de desejo é uma condição apresentada por 8,2% das mulheres brasileiras, quatro vezes mais do que por homens. E a tendência é aumentar conforme a idade avança: 20% das mulheres brasileiras acima dos 60 anos não têm mais nenhum tipo de interesse sexual. No "Estudo com Terapeutas Psicodramatistas sobre Queixas Sexuais Femininas", minha tese de doutorado (uma pesquisa qualitativa na cidade de São Paulo), a falta de desejo sexual aparece como a principal das disfunções das pacientes. E os resultados divulgados pelo Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das clínicas de São Paulo, mostram a falta de desejo sexual como a segunda disfunção feminina mais importante (26%). O que parece justificar esta incidência é a mudança nas condições de vida atual, muito mais estressante, com o acúmulo de trabalho, os transtornos do trânsito, má alimentação e qualidade de sono ruim. Nessa rotina exaustiva não há muito espaço para a mulher pensar em si e uma das conseqüências é a diminuição do interesse por sexo.

A mulher que sofre de falta de desejo evita as relações sexuais e apela para pretextos como cansaço, dor de cabeça, cólica menstrual, perigo de acordar os filhos.


Falta de excitação sexual


É a ausência ou insuficiência de lubrificação, vasocongestão pélvica, dilatação vaginal e tumescência dos genitais externos (clitóris, grandes e pequenos lábios); ou a impossibilidade de manter essa resposta até o final da atividade sexual.

Pode ser primária, se a mulher nunca teve prazer sexual em atividade sexual anterior; ou secundária, se a mulher já respondeu à estimulação com excitação e prazer sexuais em alguma ocasião anterior; geral, se a falta de excitação aparece em todas as situações, com qualquer tipo de estímulo e com todas as pessoas com quem a mulher realiza a atividade sexual; ou ainda, situacional, se a mulher deixa de responder aos estímulos sexuais apenas em determinadas circunstâncias, com certos parceiros, tipo de estimulação, falta de anseio do parceiro, depois de uma briga ou frustração.

O problema aparece em 27% das mulheres brasileiras, sendo mais comum naquelas entre 18 e 25 anos, e acima dos 40 anos, como nos mostra Carmita Abdo.


Anorgasmia


Anorgasmia (ou disfunção orgástica) se define como a ausência recorrente ou persistente de orgasmo, tanto por sexo vaginal, anal, orogenital, como pela masturbação, após as fases de desejo e excitação.

A anorgasmia também pode ser classificada como: primária, quando a mulher nunca experimentou orgasmo; secundária, quando, depois de um período em que era possível para a mulher atingir o orgasmo, isso deixa de acontecer, independentemente da forma da relação ou masturbação (é mais freqüente que a anorgasmia primária e em mulheres jovens e solteiras); situacional ou ocasional, ocorre quando a mulher alcança o orgasmo somente em situações específicas (por exemplo, não atinge o orgasmo com o marido, mas o alcança com um amante, ou vice-versa). A anorgasmia situacional pode se dar por desajuste orgástico masturbatório (se a mulher não se satisfaz por meio da masturbação, independentemente de como é praticada, mas alcança o orgasmo durante o coito) ou por desajuste orgástico coital (se a mulher nunca obtém orgasmo durante o coito, mas tem retorno orgástico através de masturbação e sexo orogenital. Diferentemente da anterior, esta categoria aplica-se a um grande número de mulheres).A anorgasmia também pode ser fortuita, quando a mulher tem orgasmo em diferentes tipos de atividades sexuais, mas de maneira pouco freqüente.

É preciso não confundir anorgasmia situacional com, por exemplo, ocorrências ocasionais de falta de lubrificação, de orgasmo, ou de prazer numa relação sexual que não chegam a se constituir em uma disfunção sexual.

A anorgasmia atinge cinco vezes mais mulheres do que homens. Já foi a disfunção sexual feminina mais numerosa entre as brasileiras: em 1990, correspondia a 74%; atualmente, diminuiu para 30%, ainda que continue sendo a disfunção mais freqüente, de acordo com Carmita Abdo. Mudanças comportamentais, avanço das normas morais e de educação e o maior acesso à informação sobre o corpo e a sexualidade ocorridos nos últimos anos explicam a grande diferença estatística.

Segundo Oswaldo Rodrigues Jr. (psicólogo diretor do Centro de Estudos e Pesquisas de Comportamento em Sexualidade), apesar disso, no consultório dos terapeutas sexuais três a cada cinco mulheres ainda se queixam de dificuldades ou falta de orgasmo. O problema pode levar à diminuição da auto-estima, à depressão e à sensação de inutilidade. E o parceiro da mulher anorgástica pode experimentar uma gama variada de sentimentos, da ameaça à irritação, podendo chegar ao limite da resignação. Para a mulher, com o tempo a anorgasmia pode desencadear também falta de desejo sexual.

Antes da publicação de A Inadequação Sexual Humana, de Masters e Johnson, em 1970, a palavra frigidez era usada para descrever uma série de problemas sexuais femininos que variavam desde a falta de interesse em sexo e a ausência de excitação sexual à não ocorrência do orgasmo, sendo usada de forma pejorativa. "A expressão 'mulher frígida' mais parece acusação que descrição de um problema sexual. Foi associada à frieza de sentimentos, o que é imperdoável, já que qualquer um pode constatar sensibilidade, afeto e ternura na mulher embora ela não consiga atingir o orgasmo nas práticas sexuais comuns", pondera Juan Kusnetzoff, psiquiatra argentino. O reconhecimento desta realidade justifica o abandono do termo "frigidez" e suas variações do vocabulário dos especialistas. Mas cerca de 35% das mulheres que sofrem de anorgasmia ainda simulam o orgasmo, temendo o estigma, afirma Ângelo Monesi, psicólogo diretor do Instituto Paulista de Sexualidade.


Dispareunia


Outra disfunção é a dispareunia, que quer dizer dor na relação sexual, sem apresentar causa orgânica. Pode incidir tanto em mulheres quanto em homens, mas é mais freqüente em mulheres.

A dor aparece como ardor, dor cortante, queimação ou contração; pode ser externa, na vagina (intróito, região média ou profunda), na bexiga, no útero, na cérvix. A dispareunia pode ser causa e/ou manutenção de uma inibição em relação à manifestação e realização da sexualidade feminina; o medo da dor pode tornar a mulher tensa e diminuir o seu prazer sexual, alterando as fases de desejo, excitação, orgasmo e resolução.

A dispareunia pode ser transitória (acontece às vezes), permanente (sempre surge), ou adquirida (surge depois de um tempo); generalizada (aparece com todos os parceiros sexuais e em todas as circunstâncias), ou situacional (ocorre com determinado parceiro sexual, com certo tipo de estímulo ou num contexto específico). E pode culminar em vaginismo, do qual falaremos adiante.

O parceiro sexual pouco pode fazer, a não ser diminuir a freqüência das relações sexuais entre os dois e insistir para que a mulher busque ajuda profissional. Entre as brasileiras, 18% apresentam a disfunção, mais incidente na faixa etária de 18 a 25 anos e acima dos 60 anos, segundo Carmita Abdo.


Vaginismo


Consiste na contração espasmódica e involuntária, recorrente ou persistente, dos músculos que circundam a entrada da vagina e dos músculos constritores do ânus, que ocorre na iminência e tentativa de penetração. Apresenta-se em diferentes graus de intensidade, das versões mais brandas à mais acentuada e grave. Ocasionalmente, o espasmo reflexo involuntário abrange os músculos adutores da coxa, a ponto de os joelhos ficarem colados um contra o outro.

Em geral o problema não afeta as fases de desejo e excitação e as mulheres que o apresentam sentem-se aborrecidas pela incapacidade em desfrutar das relações sexuais. Não é raro o vaginismo se associar a fobias, quase sempre relacionadas a repugnância e temor dos órgãos sexuais. A dificuldade também pode se instalar após um estupro ou incesto. Se a penetração for forçada, pode ser doloroso para a mulher, resultando em dispareunia.

O vaginismo atinge mulheres de todas as idades. Pode ocorrer ao longo da vida da mulher, ou ser adquirido; pode ser generalizado ou situacional. Dentre as mulheres atendidas pelo ProSex, 3,1% apresentam vaginismo, condição que costuma ter efeito psicológico devastador, tanto para a mulher como para seu companheiro sexual. A mulher pode sentir-se inadequada, humilhada, frustrada, com medo de ser abandonada pelo marido. Como conseqüência procura evitar todo encontro sexual.




Referências

ABDO, C.H.N. - Sexualidade Feminina. Aspectos Gerais - in ABDO, C.H.N. (org.) - Sexualidade Humana e seus Transtornos - Ed. Lemos - São Paulo - 2ª edição 2000 (1ª edição 1997)

ABDO, C.H.N. - O Melhor e o Pior da Vida a Dois - Revista Veja -("Estudo do Comportamento Sexual") - 21/03/01 - pp 116 a 122

ABDO, C.H.N. - Desenvolvimento Sexual do Brasil. Para Curiosos e Estudiosos - ("Estudo da Vida Sexual do Brasileiro") - Ed. Summus - São Paulo - 2004

ASSOCIAÇÃO PSIQUIÁTRICA AMERICANA (APA) - Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-III) - Ed. Manole - São Paulo - 1989 (original 1987)

FIORDA, O. - Inadequação Sexual Feminina. Causas Psicossociais - in Revista Brasileira de Sexualidade Humana - vol. III - nº 1 - Ed. Iglu - São Paulo - jan. a jun./1992

KUSNETZOFF, J.C. - A Mulher Sexualmente Feliz. Do Mito à Verdade Científica - Ed. Nova Fronteira - Rio de Janeiro - 5ª edição 1988 (original 1988)

MASTERS, W. H.; Johnson, V. E. - A Conduta Sexual Humana - Ed. Civilização Brasileira - Rio de Janeiro - 4ª edição 1981 (original 1966)

MONESI, A.A. et al. - Orgasmo. Quase Tudo que Você Queria Saber - in RODRIGUES JR, O.M. (org.) - Sexo. Tire suas Dúvidas. Algumas Coisas que você Precisa Saber - Ed. Iglu - São Paulo - 1994

RODRIGUES JR, O.M.; ZEGLIO, C. - Anorgasmia Feminina - in Instituto Paulista de Sexualidade (org.) - Aprimorando a Saúde Sexual. Manual de Técnicas de Terapia Sexual - Ed. Summus -São Paulo - 2001

SEIXAS, A.M.R. - Sexualidade Feminina. História, Cultura, Família, Personalidade & Psicodrama - Ed. SENAC - São Paulo - 1998

SEIXAS, A.M.R. - Psicodrama, Sexualidade e um Estudo com Terapeutas Psicodramatistas sobre Queixas Sexuais Femininas - Tese de Doutorado em Psicologia Clínica - Pontifícia Universidade Católica (PUC) - São Paulo - 2003

VITIELLO, N. - Reprodução e Sexualidade. Um Manual para Educadores - Ed. CEICH - São Paulo - 1994

Estudo bíblico - A Importância da Sexualidade no Casamento

Quando Deus fez o primeiro casal, incluiu em sua estrutura emocional e física, os órgãos e o instinto sexual. E o fez com propósitos muito e... 



Quando Deus fez o primeiro casal, incluiu em sua estrutura emocional e física, os órgãos e o instinto sexual. E o fez com propósitos muito elevados, como tudo que o Criador realizou. Dessa forma, a sexualidade faz parte da vida de qualquer ser humano. Dela, ninguém pode se afastar.
Quando alguém diz que é homem ou mulher, está implícita a idéia de sexo, de modo natural. 
No casamento, a sexualidade exerce papel fundamental, indispensável para o bom relacionamento entre os cônjuges, dentro do plano de Deus para o matrimônio. Vamos refletir um pouco sobre esse importante assunto.

1. A VISÃO BÍBLICA DO SEXO

O sexo foi feito por Deus
- Deus fez o homem, incluindo o sexo, e "viu que tudo era bom", Gn 1.31. As mãos que fizeram os olhos, o cérebro, também fizeram os órgãos sexuais. Aquele que criou a mente, também criou o instinto sexual.
- Jesus, mesmo em sua missão divina, era homem normal, incluindo a sexualidade Lc 2.21-23

O plano de Deus em relação ao sexo
- Deus quis, na sua soberania, que o homem participasse DIRETAMENTE da obra da Criação, através da procriação, dando-lhe instrumentos maravilhosos que são os órgãos e o instinto sexual. Nesse plano, observamos os seguintes aspectos, dentro da vontade de Deus:

1) O uso dos órgãos sexuais é privativo dos casados.
- A ordem de crescer e multiplicar foi dada a um casal, Gn 1.27,28.
- Deus não achou bom que o homem vivesse só, Gn 2.18,24; Sl 68.6;113.9.
- O homem é convidado a desfrutar o sexo com a sua mulher, Ct 4.1-12.

2) A relação sexual do cristão.
- Sua natureza foi prevista por Deus, Gn 1.27-28; 2.24. Portanto, não era, nem é e nem será pecado dentro dos princípios de Deus, Hb 13.4.
- Sua finalidade foi da procriação, Gn 1.27, 28; da satisfação (bem-estar, prazer, gozo), Dt 24.5; Pv 5.18-23; Ec 9.9; Ct 4.1-12;7.1-9; do ajustamento mútuo entre marido e mulher,1 Co 7.1-7: a) O princípio da prevenção (v.2); b) O princípio do direito mútuo (ou do dever) (v.3); c) O princípio da autoridade mútua (v.4); d) O princípio do hábito (v. 5).
- Sua funcionalidade foi para ser exclusiva, Gn 2.24; Pv 5.17; alegre, Pv 5.18); santa, Hb 13.4; natural, Ct 2.6; 8.3 (isto é, sem acessórios).

2. AS PERGUNTAS MAIS FREQUENTES SOBRE SEXO
a) O casal pode fugir da rotina do “feijão com arroz”? Sim, o casal pode e deve quebrar a rotina e monotonia da vida a dois com criatividade e improviso. O casal de Cantares é capaz de se relacionar fora de seu leito conjugal, 3.4; de sair pra jantar, 2.4; de apreciar uma dança particular e privada, 6.13; de sair de férias ou a passeio, 2.10-13; 4.8; 7.11,12.

b) O local do ato sexual tem alguma influência sobre o desejo sexual? Sim, em Cantares encontramos um ambiente favorecedor da relação sexual. A casa arrumada ao gosto dela conforme a preferência dele, Ct 1.17; o quarto deve ser o Santo dos Santos do amor conjugal. É o lugar da nudez moral, psicológica e física, Ct 1.4; a cama que deve ser o altar desta entrega de amor, Ct 1.16b.

c) Quais os limites entre um casal dentro de quatro paredes? Vale tudo? Pode sexo oral e anal? Mesmo sabendo que muitos líderes pensam de modo diferente, exponho aqui o que penso: Primeiro, à luz do texto de 1 Co 7 o “corpo” da mulher pertence ao marido e vice-versa; Segundo, a lei do amor deve ser aplicada, pois amor não gera constrangimentos. Ou seja, o limite do que se pode fazer com o cônjuge será o amor em respeito a heranças psicológicas, morais, familiares ou religiosas; Terceiro, o texto de Romanos 1 trata de homossexualismo feminino e masculino e outras perversões sexuais, não do sexo anal; Quarto, o texto de Ct 7.3 refere-se a genitália (traduzida por umbigo) como taça onde o marido bebe seu vinho. Portanto, esta é uma decisão que só compete a cada casal tomar entre si e diante de Deus ante estas verdades expostas.

d) O casal pode usar revistas ou filmes pornográficos  e outros acessórios para esquentar a relação? Revistas e filmes eróticos, vibradores, chicotes, etc, não são coisas naturais. Quando a Bíblia está falando de prazer sexual, está falando de coisas naturais. Estes acessórios induzem a fantasia fora da pessoa e corpo de seu cônjuge. Isto é perigoso!

e) Filhos pequenos atrapalham a relação sexual? Não atrapalham quando a mulher sabe separar seu papel de mãe e esposa. Sendo assim, ela saberá a hora de cada uma das coisas.

f) Qual a freqüência da relação sexual entre o casal cristão? Esta é uma decisão particular de cada casal conforme suas carências, lembrando sempre do princípio de 1 Co 7 (não se recusarem por muito tempo). Quando o princípio da mutualidade é praticado o conjuge não vai para a cama só quando está com vontade, mas quando o outro também está. Isto é solidariedade erótica!

g) É pecado se masturbar? A automasturbação é um infantilismo psicológico prejudicial. Foge do principio do prazer mútuo da conjugalidade. Ec 9.9.

h) Por que muitas mulheres não chegam ao orgasmo? Porque muitos homens desconhecem as preliminares do ato sexual ou os pontos G´s da mulher. Se ele conhece e sabe, é um egoísta e sem amor. Não está cumprindo Pv 5.19.

i) O que fazer quando o marido só procura a mulher quando quer e leva meses?  Ela deve conversar com ele francamente sobre sua necessidade sexual e procurar ser mais sedutora.

j) O que uma mulher deve fazer para sentir orgasmo? Conversar francamente com o marido para que ele seja paciente e longanimo na relação, ou seja: se segure por mais tempo; e no ato, que a mulher leve-o aos pontos de seu corpo que lhe dão mais prazer.

l)  Por que ao conversarmos sobre sexo ficamos excitados? Simplesmente por causa do psicológico. Sexo é o psicológico utilizando-se do biológico.


CONCLUSÃO

O homem cristão precisa compreender o valor da sexualidade, e ser grato a Deus por isso. Faz-se necessária uma visão abrangente do tema, de modo a não se deixar levar por conceitos e preconceitos que só fazem prejudicar o bom relacionamento entre as pessoas, principalmente entre marido e mulher, a quem Deus concedeu a bênção da união conjugal, como algo belo, santo e agradável, não só com finalidade procriativa, mas como meio de obter um relacionamento estável, rico em alegria e prazer.


Sexo oral: legal ou imoral?


sexo_oral

Oi Pessoal! 
Podem vasculhar a Bíblia, os documentos da Igreja, os escritos dos santos… 
Até onde sei, não há qualquer referência a sexo oral. 
Então, como poderemos saber se esse ato, dentro do casamento, é moral ou imoral? 
Nenhuma carícia sexual é pecaminosa, desde que não substitua o ato sexual em si, ou seja, a penetração finalizando com o orgasmo do casal.
A Igreja ensina que o sexo entre o casal é abençoado quando feito dentro do casamento, e de acordo com o seu sentido pleno: realizar a função unitiva(favorecer a união e intimidade do casal) e procriativa
Para que a função procriativa não seja descartada, o ato sexual deve ser finalizado SEMPRE na vagina. A igreja também possui um método para que o casal tenha controle do ato no que se refere a procriação e planejamento de filhos, procure conhecer melhor esse método.

Qualquer coisa o casal tenha feito antes para chegar a esse objetivo, não é do interesse da Igreja. Por isso mesmo o Sagrado Magistério jamais se pronunciou sobre as carícias sexuais, somente sobre o ato sexual em si. 
Não esperem receber de Roma um manual detalhando sobre “sexo santo”, dizendo onde o marido pode botar a mão, onde a mulher pode botar a boca… Isso é irrelevante do ponto de vista doutrinário! O que interessa que o ato sexual seja colocado no seu devido lugar, praticado nas bases do casamento e que o prazer seja alcançado por ambos, ou se o marido for mais rápido que ele ajude ela a chegar ao ápice!  (não esqueça sua mulher sozinha).
Usando o bom senso, podemos concluir que, no caso do homem em relação à mulher, não há problema moral no sexo oral. No caso da mulher em relação ao homem, é preciso cautela: as carícias orais não são pecaminosas, desde que realizadas como PRELIMINARES; o orgasmo do homem não deve ser atingido fora da vagina. 
Além de chegar a essas conclusões pelo simples uso da lógica, podemos consultar “Manual de Teologia Moral” do Padre Teodoro da Torre Del Greco, O.F.M., Doutor em Direito Canônico. Del Greco é um especialista em moral católica, um dos mais célebres e respeitados.

Os atos incompletos. Podem ser, por exemplo, os atos imperfeitos de luxúria (beijos, abraços, toques, olhares, etc.), os quais dispõem os cônjuges ao ato conjugal.
a) Se se referem ao ato conjugal no sentido de constituirem preparação para este, são sempre permitidos, quer no próprio corpo, quer no corpo da outra parte.
Devem, porém evitar os cônjuges que de tais atos por serem muito prolongados resulte uma polução, ainda que não voluntária.”
 DEL GRECO. “Manual de Teologia Moral”
Antes de terminar, vale lembrar mais uma vez, que tudo isso só vale pra casados.